Cidades Inteligentes, cidadãos atuantes

Atualmente cerca de 50% de todas as pessoas do mundo vivem em cidades, mas estima-se, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que em 2030 este número chegará aos 70%. O agravante é que apenas 2% do território do planeta é ocupado por cidades. Sendo assim, teremos muito mais gente vivendo aglomerada nos espaços urbanos.

Como as cidades podem administrar essa super densidade populacional, garantindo o funcionamento dos serviços e a qualidade de vida dos moradores?

A resposta para essa questão pode estar no conceito de “Cidades Inteligentes”, tema central deste artigo.

Mas o que são Cidades Inteligentes?

Segundo a União Europeia, as cidades inteligentes são sistemas de pessoas interagindo, utilizando energia, materiais, serviços e financiamento para aumentar o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida.

Este sistema é chamado de “inteligente” pois utiliza de maneira estratégica as informações recebidas nos sistemas de comunicação e afins, gerando respostas rápidas e eficientes à população.

Vamos imaginar que em uma determinada esquina haja um índice de colisão de veículos maior do que o padrão. Com um “sistema inteligente”, o estado pode intervir diretamente neste ponto específico da cidade e de forma rápida, realizar as reformas necessárias para diminuir esta taxa.

Os 5 requisitos para ser uma cidade inteligente

Para que uma cidade seja considerada inteligente, é necessário que se enquadre em 5 características primordiais.

  1. Possuir uma infraestrutura digital moderna e segura, para que os cidadãos possam aceder a qualquer tipo de informação de onde e quando quiserem;
  2. Ter um estado consciente de que o aprimoramento dos serviços públicos é centrado nas necessidades dos cidadãos. A partir dessa premissa, deve oferecer serviços de forma coerente, rápida e eficaz, acessíveis a todos e em qualquer momento;
  3. Manter uma infraestrutura física inteligente, que possibilite a utilização dos dados pelos serviços da cidade. Isso permite que os investimentos sejam feitos de maneira estratégica na cidade e na comunidade. (Exemplo: fazer com que os transportes públicos cooperem informando as horas de pico da cidade);
  4. Estar aberta ao aprendizado e à experimentação de novas técnicas e modelos de trabalho;
  5. Ser transparente na divulgação dos resultados, de forma que os cidadãos possam comparar e desafiar o desempenho dos serviços oferecidos

Cidade Inteligente X Cidadão Inteligente

Se uma cidade tem em seu poder uma série de indicadores e números capazes de identificar toda a dinâmica das pessoas em uma cidade, uma boa proposta é compartilhar estes dados com os habitantes, transformando-os em Cidadãos Inteligentes.

Cidadão inteligente é aquele que tendo acesso às informações da cidade, as utiliza de forma a melhorar os serviços e a qualidade de vida da população. Em Nova York, por exemplo, os moradores podem compartilhar fotos de terrenos baldios, através de um site. A partir dessa informação, a comunidade local pode averiguar a procedência deste terreno e localizar o seu dono. Essa ação torna possível a criação de uma pressão comunitária para que haja uma mudança positiva naquele espaço. Na maioria das vezes, o terreno é transformado em algo que beneficie essa comunidade, como um parque público ou uma horta comunitária.

O conceito, na prática

Você não precisa esperar que a sua cidade seja considerada inteligente para contribuir com o seu desenvolvimento. Desenvolva formas de cooperação entre os colaboradores da sua empresa, seja na própria organização ou junto às comunidades e utilize esse novo conceito convidando-os a uma participação social inteligente.

No Brasil, já possuímos aplicativos cujo objetivo é estimular ações colaborativas em um determinado raio de atuação. O aplicativo Tem Açúcar, por exemplo, fomenta a relação entre vizinhos através do compartilhamento de objetos. Essa é uma ótima maneira de economizar dinheiro, agir de forma sustentável e quebrar o gelo ao conhecer quem mora do seu lado. O tão conhecido Waze, embora não tenha uma pegada mais social, possibilita que as pessoas identifiquem o caminho mais rápido, redistribuindo o trânsito da cidade e tornando a viagem mais agradável a todos os motoristas. Já o Bla bla Car permite que um viajante identifique pessoas que estejam indo para o mesmo destino, conseguindo assim uma carona.

Percebemos essa tendência como um caminho a ser seguido. A partir desse raciocínio, nasce uma pergunta pertinente:

Como eu posso ajudar, ainda mais, neste desenvolvimento e garantir o futuro das próximas gerações?